Chamada até 30/08/2020

Chamada para publicação 2020/2

Prazo para envio dos trabalhos: 30 de agosto de 2020

Alegria, alegria: ainda a prova dos nove?

Arde, arde, América Latina. E, mais uma vez, arde como imagem ausente, como colapso de projeto e como projeção do colapso. Num momento em que a lógica do desenvolvimento se mostra, novamente, como imposição e perpetuação de uma violência histórica insuportável, isto é, no momento em que a exceção torna-se o modo mais ordinário do exercício do poder e a democracia se configura como o seu semblante; neste momento, pensar criticamente o que seria um espaço próprio, um espaço latino-americano para além dos fatalismos sempre cômodos da melancolia, torna-se uma das tarefas mais urgentes. Pensar a alegria, portanto, como um princípio de montagem de “cenas” de vida ou de sobrevivência que, situadas na América Latina, ganharam a potência de acontecimentos disruptivos que nos permitiram, muitas vezes, visibilizar a potência e a resistência para além dos fracassos, das mazelas e dos principismos. Em questão estão os modos como o “estético” sempre foi política do sensível, política de vida.

Em torno dessas cenas da alegria de uma vida estética – Alegria, Antropofagia, Aletria – pode ser montada uma imagem limite da América Latina. Se a permanência da barbárie parece se configurar como uma espécie de projeto, a sua crítica e a rejeição da impotência a que parece nos condenar caracterizam-se como um gesto a contrapelo, de extrema urgência, que por sua vez só pode produzir efeitos se articulado com as sobrevivências e os sobreviventes.

Por que dançam os que dançam? E para que dançam? Por que preferem não preferir não? Em que momentos a resistência latino-americana ganhou a dignidade de uma festa? A arte/a literatura já foram cenários dessa alegria? Foram lugares de afeto? Como mapear esses momentos? Com que instrumentos? Com que propósitos?

Ainda e em mais direta referência à “América Latíndia” na tradição da Antropofagia Brasileira de Letras: se a alegria é prova dos nove, como o será “Alegria, Alegria” (a canção), ainda seria possível contrapor a “alegria da senzala” à “tristeza das missões”, cujo avatar, a “estética do frio”, igualmente se contraporia a ela?

É a partir dessas perguntas que a revista Landa abre sua chamada para trabalhos que abordem momentos e cenas dessa “prova dos nove” nas artes e na literatura das américas latíndias do mundo.

Trabalhos que não respeitem as normas editoriais não serão aceitos. As normas podem ser consultadas em: http://www.revistalanda.ufsc.br/diretrizes

Os originais deverão ser enviados por correio eletrônico ao endereço: revistalanda@gmail.com

 

Convocatoria para publicación 2020/2

Plazo de envío de los trabajos: 30 de agosto de 2020

Alegría, alegria: aún la prueba del nueve?

Arde, arde, América Latina. Y una vez más arde como imagen ausente, como colapso del proyecto y como proyección del colapso. En un momento en que la lógica del desarrollo se muestra, nuevamente, como imposición y perpetuación de una violencia histórica insoportable, es decir, en el momento en que la excepción se vuelve el modo más corriente de ejercicio del poder y en que la democracia se configura como su semblante; es en este momento que pensar críticamente lo que sería un espacio propio, un espacio latinoamericano más allá de los fatalismos siempre cómodos de la melancolía, se hace una tarea urgente. Pensar la alegría, por lo tanto, como un principio de montaje de “escenas” de vida o de sobrevivencia que, situadas en América Latina, alcanzaron la potencia de acontecimientos disruptivos que nos permitieron, no pocas veces, visibilizar la potencia y la resistencia antes que los fracasos, las heridas y los principismos. En causa están los modos como “lo estético” siempre fue una política de lo sensible, es decir, una política de la vida.

En torno a estas escenas de la alegría de una vida estética –Alegría, Antropofagia, Aletría–  se puede montar una imagen límite de América Latina. Si la permanencia de la barbarie parece configurarse como una especie de proyecto, su crítica y el rechazo de la impotencia a la que parece condenarnos se constituyen como un contra-gesto de extrema urgencia, que solo puede producir efectos si se articula con las sobrevivencias y los sobrevivientes.

¿Por qué bailan los que bailan? ¿Y por qué bailan? ¿Por qué prefieren no preferir no? ¿En qué momentos la resistencia latinoamericana alcanzó la dignidad de una fiesta? ¿Han sido el arte/la literatura escenarios de esa alegría? ¿Son lugares de afectos? ¿Cómo mapear estos momentos? ¿Con qué instrumentos? ¿Con qué fines?

Por otra parte, y en relación con la “América Latíndia” de la tradición de la Antropofagia Brasileña de Letras: si la alegría es la prueba del nueve, como lo es “Alegría, Alegría” (la canción de Caetano Veloso), ¿aún sería posible contrarrestar la “alegría de la senzala” a la “tristeza de las misiones” o a la “estética del frío”?

Es a partir de estas preguntas que la revista Landa abre su convocatoria a trabajos que aborden momentos y escenas de esta alegría en las artes y en la literatura de las Américas latindias del mundo.

No se aceptarán trabajos que no respeten los estándares editoriales. Las normas se pueden consultar en: http://www.revistalanda.ufsc.br/diretrizes

Los originales deben enviarse por correo electrónico a revistalanda@gmail.com

 

Chamada para publicação 2021/1

Prazo para envio dos trabalhos: 10 de março de 2020

A partilha do fogo

Em uma resenha de Walter Benjamin, dedicada a El circo (1917) de Ramón Gómez de la Serna, texto surpreendentemente obliterado pela crítica eurocentrada, se afirma que as “idéias mais inauditas e curativas”, as próprias iluminações profanas, vêm de um nada, de um quase nada. Lançando mão desse “quase nada”, em conferência de 2019 dedicada a Benjamin, Raúl Antelo propunha a figura do artista saltimbanco como aquela figura que daria conta, justamente, da nossa própria pobreza.

O saltimbanco é a evidência de uma pura potência de significação, antes das formas e no lugar vazio das forças. Está como que atravessado por um nada, por uma espécie de vazio constituinte do poder ou por um jogo que, longe da função ritualística do trickster (que pressupõe a existência de um laço social, de uma sociedade estruturada à qual ele serve como figura de transgressão), e longe de uma catarse revigorante como a que permitiria o conservadorismo picaresco, vive uma vida póstuma sem ter vivido nunca uma vida viva. Isso quer dizer que o saltimbanco está mais próximo do caráter criatural que o humano adquire no barroco do que dos restos, sempre dignos, constituídos pelas ruínas de monumentos ou pelas peças de um antiquário. É artista da fome antes dos atributos da arte.

Ora, um bufão não é um palhaço, e nem um saltimbanco. Não é do todo ao nada nem do nada ao todo que o bufão transita, mas do nada ao nada. É a imagem de uma escatologia de dupla mão, entre o éskhatos (final) e o skatós (excremento) com que não raramente brinca. O que acontece quando longe de entreter o trono, o bufão passa a ocupá-lo? O que acontece quando as cabeças cortadas não são mais a exceção que faz a regra, nem a vida algo a ser administrado, mas o próprio cerne de um “fazer morrer” que, de acordo com Achille Mbembe, constituiria a necropolítica longe dos centros metropolitanos da bíos?

De que maneira pensar hoje –em tempos de éskhatos que se administram e se vivem a partir da lógica do skatós– a nossa própria pobreza? As condições atuais do trabalho, da técnica e da política nos permitem a iluminação profana de uma pura potência de significação, ou também fomos despojados desse supremo bom gosto que foi eleger entre os nossos próprios pesadelos? O circo, finalmente, pegou fogo ou o fogo se tornou o próprio circo? A merda suplementar ocupou o lugar dos fundamentos e das fundações? As violências privatizadas equivalem ao moderno, e já passado, “monopólio da violência”? Que diferença implicam essas violências?

Nestes tempos de pandemias, de milícias, de negacionismos e de terras planas, é a partir dessas perguntas que a revista Landa abre sua chamada para trabalhos que abordem momentos, nuances e cenas dessa passagem do bio ao necropolítico. Convidamos os interessados a pensar essa passagem nas artes e nas literaturas das Américas todas do mundo que resta.

Trabalhos que não respeitem as normas editoriais não serão aceitos. As normas podem ser consultadas em: http://www.revistalanda.ufsc.br/diretrizes

Os originais deverão ser enviados por correio eletrônico ao endereço: revistalanda@gmail.com

 

Convocatoria para publicación 2021/1

Plazo para el envío de trabajos: 10 de marzo de 2021

El reparto del fuego

 En una reseña de Walter Benjamin, dedicada a El circo (1917) de Ramón Gómez de la Serna, un texto sorprendentemente obliterado por la crítica eurocentrada, se afirma que “las ideas más inauditas y curativas”, las mismas iluminaciones profanas, vienen de un nada, de un casi nada. Apropiándose ese “casi nada”, en una conferencia de 2019 dedicada a Benjamin, Raúl Antelo proponía al artista saltimbanco como esa figura que, justamente, da cuenta de nuestra propia pobreza.

El saltimbanco es la evidencia de una pura potencia de significación, antes de las formas y en el lugar vacío de las fuerzas. Está como atravesado por un nada, por una especie de vacío constituyente del poder o por un juego que, lejos de la función ritual del trickster (que presupone la existencia de un vínculo social, de una sociedad estructurada a la que sirve como figura de transgresión), y lejos de la catarsis vigorizante que permitiría el conservadurismo picaresco, vive una vida póstuma sin nunca haber vivido una vida viva. Eso quiere decir que el saltimbanco está más cerca del carácter creatural que lo humano adquiere en el barroco que de los restos, siempre dignos, constituidos por las ruinas de monumentos o por las piezas de un anticuario. Es el artista del hambre antes de los atributos del arte.

Un bufón, a su vez, no es un payaso ni un saltimbanco. No es del todo a la nada ni de la nada al todo que un bufón transita, sino de la nada a la nada. Es la imagen de una escatología de doble vía, entre el éskhatos (fin) y el skatós (excremento) con el que no raramente juega. ¿Qué ocurre cuando el bufón pasa a ocupar el trono en vez de simplemente entretenerlo? ¿Qué pasa cuando las cabezas cortadas no son más la excepción que hace la regla, ni la vida algo que simplemente debe administrarse, sino la propia semilla de ese “hacer morir” que, según Achille Mbembe, ordena la necropolítica lejos de los centros metropolitanos de la bíos?

¿De qué manera pensar hoy –en tiempos de éskhatos que se administran y se viven a partir de la lógica del skatós– nuestra propia pobreza? ¿Las condiciones actuales del trabajo, de la técnica y de la política nos permiten la iluminación profana de una pura potencia de significación, o también se nos despojó de ese supremo buen gusto que fue elegir entre nuestras propias pesadillas? ¿El circo, finalmente, está en llamas, o más bien el fuego se transformó en el mismo circo? ¿La mierda suplementaria ocupó el lugar de los fundamentos y de las fundaciones? ¿Las violencias privatizadas equivalen al moderno, y ya pasado, “monopolio de la violencia”? ¿Qué diferencia concreta implican esas violencias?

En estos tiempos de pandemias, de milicias, de negacionismos y de tierras planas, y a partir de estas preguntas, Landa abre su convocatoria a trabajos que aborden momentos, matices y escenas de ese pasaje de lo bio a lo necropolítico. Invitamos a los interesados a pensar esa transición en las artes y en la literatura de las Américas del mundo que nos resta.

No se aceptarán trabajos que no respeten los estándares editoriales. Las normas se pueden consultar en: http://www.revistalanda.ufsc.br/diretrizes

Los originales deben enviarse por correo electrónico a revistalanda@gmail.com